gepA Fundação Araporã vem construindo sua história e missão marcadas por uma práxis que inclui a educação, o patrimônio cultural e a defesa dos direitos dos povos indígenas, a partir de ações relacionadas à produção e divulgação do conhecimento científico e outros saberes, estabelecendo parcerias com universidades, associações indígenas e instituições públicas e privadas.  Dessa forma, amplia e diversifica a sua atuação, levando em conta as mudanças socioculturais, políticas e econômicas ocorridas nos últimos anos e as novas demandas colocadas pelas populações indígenas.

A atuação política da Fundação Araporã se constitui enquanto núcleo de apoio à causa indígena, contribuindo com a luta dos povos indígenas pelo respeito aos seus direitos. Para tanto, mantemos um vínculo de diálogo direto, tanto com as comunidades indígenas, quanto com as instituições que elaboram e executam políticas públicas voltadas à defesa dos direitos dessas comunidades.

Na Educação, objetiva promover o desenvolvimento científico, tecnológico, institucional, bem como a construção de conhecimentos no campo do ensino, pesquisa, extensão. Entende que por meio das ações educativas é possível promover uma construção cidadã. Afinal, na medida em que as pessoas reafirmam sua cultura e identidade, passam a fundamentar sua existência enquanto agentes produtores de cultura

Focada no patrimônio e na cultura, a Fundação desenvolve num novo modo de pensar estes temas a partir do registro arqueológico que possibilita responder questões de interesse patrimonial, promovendo o exercício de cidadania já que os conhecimentos, as inovações, as tecnologias e as práticas orientadas pelas tradições estão relacionadas à existência dos diversos povos.

Para continuar galgando seus objetivos, a Fundação Araporã atua na perspectiva do etnodesenvolvimento como uma forma de garantir a sustentabilidade econômica das comunidades.  Pautada no respeito às relações de gênero e na melhoria da qualidade de vida, direciona suas ações para jovens e adolescentes que carecem de políticas públicas de inclusão e valorização tanto na sociedade indígena quanto na envolvente, pois, esses dois segmentos atualmente se encontram desassistidos em termos de inserção social necessitando de maior valorização das suas necessidades pessoais para a melhoria da auto-estima.

Os projetos de etnodesenvolvimento da Fundação têm como concepção prioritária a melhoria da produção de alimentos e das unidades produtivas, visando o enriquecimento da dieta alimentar e o respeito aos aspectos de tradição cultural envolvendo alguns cultivos, como por exemplo, o milho crioulo cultivado pela etnia Kaingang.

Entendemos que é necessário valorizar os produtos tradicionais e a conservação de germoplasma de variedades cultivadas, mas é necessário também aumentar a diversidade vegetal e promover o uso eficiente de recursos naturais por meio da conservação e regeneração do solo e da água, com ênfase num controle de erosão e formas de captação de água, para garantir que os sistemas alternativos implantados possam fortalecer a organização social nas aldeias indígenas.

A concepção das iniciativas em prol do etnodesenvolvimento está configurada nos projetos agroecológicos de forma integrada, com a recuperação das áreas de matas ciliares e reserva legal, o reflorestamento e a criação de um banco de sementes, contribuindo na revitalização do artesanato local, com o intuito de estimular o aumento da renda familiar.  Para isso, foram construidos viveiros de mudas com sementes nativas, criando, um banco de sementes que poderão ser comercializadas fora das aldeias. Buscou, para tanto, a capacitação dos jovens e mulheres, num esforço coletivo entre os profissionais especializados e as universidades que estão envolvidas nas atividades da Fundação.

Com essa capacitação a Fundação acredita que os sujeitos se tornarão facilitadores e multiplicadores das propostas agroecológicas, o que possibilitará ações mais participativas e integradas no interior da comunidade, bem como no seu entorno, proporcionando mudanças locais e regionais.

As iniciativas em torno do etnodesenvolvimento estão pautadas pelo respeito à comunidade, portanto, sempre pensadas e executadas de maneira coletiva com base no diagnóstico participativo, em que as comunidades dão os indicativos das suas prioridades e que tipo de desenvolvimento esperam para suas áreas.