evento-mapa-12-0309Em 12 de março foi inaugurada a exposição “Areias do passado, marcas no presente” no Museu de Arqueologia e Paleontologia de Araraquara – MAPA, que pretende valorizar a paleontologia de Araraquara como parte do passado, presente e futuro da região. Seu discurso está baseado nas três dimensões que integram a Educação Científica para a Sustentabilidade e pelos diferentes olhares que envolvem o patrimônio paleontológico, dialogando com a exposição MAPA: Múltiplos Olhares e com as calçadas pré-históricas da cidade.

Em Araraquara grande parte de calçadas são revestidas com lajes de arenito, formadas a partir das areias de um deserto que existiu na região há aproximadamente 135 milhões de anos.  Além disso podemos encontrar preservados no arenito diversas pegadas e rastros deixados nestas areias por dinossauros, mamíferos e invertebrados.

A coordenadora Josiane Kunzler, mestra em Geologia e doutoranda em Museologia e Patrimônio diz que a exposição contou com uma curadoria participativa em que estavam presentes pesquisadores de diferentes áreas e interessados, tendo em mente a valorização da Paleontologia em Araraquara.

“Se treinarmos o nosso olhar, poderemos sempre encontrar pegadas interessantes, mesmo que seja em uma simples caminhada de casa até à padaria. Vivemos uma grande exposição”, conta Josiane.

A abertura contou com a participação da educadora Rosana Silva, que por meio de uma contação de histórias trouxe o conhecimento sobre mitologias, de diferentes sociedades, associadas aos fósseis.

Além da contação de histórias, a inauguração da exposição “Areias do passado, marcas no presente” foi marcada por uma mesa-redonda que reuniu personalidades importantes do estudo e defesa do patrimônio de Araraquara.  Ganhou destaque a relevância local, nacional e mundial das pegadas das calçadas de Araraquara e sua preservação.

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O geógrafo Alcyr Azzoni destacou a necessidade de efetivação de uma proposta, já existente, de criação de um Monumento Natural Municipal Geológico e Paleontológico em Araraquara. Para o professor, a instalação desse projeto visa preservar as áreas naturais onde se encontram as pedreiras de arenito da cidade, impedindo que os atuais proprietários das terras continuem explorando-as.

A importância dessa preservação ficou evidente com a fala do professor Marcelo Adorna Fernandes. O paleontólogo ressaltou que muito do que é encontrado nas lajes de Araraquara não pode ser encontrado em outras partes do mundo, ou foram fontes de informações científicas inéditas. Ainda de acordo com esse pesquisador, existem muitos registros nas calçadas da cidade que não foram estudados e podem revelar dados novos para a Paleontologia.

Para a paleontóloga Josiane Kunzler, além de serem de grande importância para a ciência, as lajes de Araraquara são também referências culturais da cidade, integrando a rede de relações cotidianas dos cidadãos com seu território. A pesquisadora salientou que um novo projeto está sendo idealizado pela Fundação Araporã. Ele consiste em uma co-gestão do patrimônio, em que as lajes com pegadas permanecerão nas calçadas e os curadores serão os próprios moradores da cidade.

A mesa redonda foi realizada na Casa de Cultura de Araraquara, no dia 14 de março, às 19h. Os pesquisadores foram mediados pelo presidente do conselho administrativo da Fundação Araporã, Robson Rodrigues, e contou com a presença de alunos e professores do curso de Biologia do Centro Universitário de Araraquara – UNIARA.

Algumas fotos da exposição:

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