O 1º Encontro Brasil Indígena –  a temática indígena na escola, foi organizado pela Fundação Araporã e realizado nos dias 24, 25 e 26/09/2013 no SESC e UNIP, Araraquara/SP.

O objetivo do Encontro foi discutir questões relativas aos povos indígenas do nosso país e o tema escolhido – a temática indígena na escola –  teve como propósito o debate e a promoção de ações no âmbito do ensino, pesquisa e extensão universitária relacionados à implementação e efetivo cumprimento da Lei 11.645/08 no que se refere especificamente ao ensino de História e Culturas Indígenas nas escolas de educação básica. O público-alvo foi professores da rede oficial de ensino, gestores de educação, lideranças e educadores indígenas, pesquisadores, estudantes e outros interessados.

Como atividades acadêmicas, pedagógicas e culturais o Encontro promoveu  palestra, conferência, simpósio, mesa-redonda, minicursos, oficinas, comunicações orais, exposições iconográficas, apresentação de documentário e outras atividades culturais voltadas para a discussão e construção de conhecimentos sobre conteúdos e práticas educativas relacionados à história e culturas dos primeiros habitantes do nosso país.

O 1º Encontro Brasil Indígena contou com importante participação de lideranças indígenas como Marcos Terena e Daniel Munduruku, assim como de professores indígenas da Terra Indígena de Araribá (Avaí/SP), além de professores e pesquisadores de diferentes universidades brasileiras como a UNESP, UNICAMP, USP, UFGD, UFSCar e UEMG.

A temática indígena na escola surge num contexto de reconhecimento das diferenças culturais, da própria diversidade humana, promovidas pelos estudos relacionados ao multiculturalismo e também pelas reivindicações dos movimentos sociais. A partir daí, os currículos escolares começaram a ser repensados e reformulados na perspectiva da sociodiversidade brasileira.

Contudo, se por um lado a referida lei implica uma conquista para os povos indígenas, como também para toda a sociedade nacional, por outro sua efetivação aponta para uma série de obstáculos e desafios, pois, de um modo geral, o que se vê nas escolas é um trabalho equivocado, distorcido e que reforça ou reproduz preconceitos, estereótipos, com disseminação da imagem de um índio genérico, de uma cultura congelada no tempo – quando da chegada dos europeus no século XVI –, ou ainda, de um não-índio, entendido como fruto de um processo de mestiçagem e que não traz mais as “características típicas/tradicionais” de seu povo. São ideias presas a conceitos ligados à assimilação e aculturação, que não levam em consideração o processo de mudanças socioculturais que é característica fundamental de todos os grupos humanos.

Trata-se, portanto, de uma realidade que precisa ser transformada, a partir de uma mudança de mentalidade e um investimento maior na formação de professores, assim como na conscientização dos gestores da educação, tendo em vista a construção de conhecimentos na perspectiva histórico-crítica, do multiculturalismo crítico e de uma práxis educativa transformadora.

E nesse espaço de diálogos enriquecedores, trocas de saberes e valorização de práticas emancipatórias que foi realizado o “1º Encontro Brasil Indígena – a temática indígena na escola”.

 

Grasiela Lima

Robson Rodrigues

Coordenadores do 1º Encontro Brasil Indígena

Baixe a programação completa: Programação Brasil Indígena

 

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