ATUAÇÃO POLÍTICA

A perspectiva da Fundação Araporã é desenvolver ações de extensão e pesquisa pautadas pelas conjunturas vivenciadas pelas populações indígenas em sua relação com a sociedade contemporânea. Para tanto, mantemos um vinculo de diálogo direto, tanto com as comunidades indígenas, quanto com as instituições que elaboram e executam políticas públicas voltadas à defesa dos direitos dessas comunidades.

Sendo assim, a Fundação Araporã se constitui enquanto núcleo de apoio à causa indígena e procura contribuir para a luta dos povos indígenas pelo respeito aos seus direitos. Por isso estimula a participação de seus membros em conselhos, fóruns, debates e atividades na defesa da causa indígena.

EDUCAÇÃO

Objetivando promover o desenvolvimento científico, tecnológico, institucional, bem como a construção de conhecimentos no campo do ensino, pesquisa, extensão, a Fundação Araporã se propõe a desenvolver cursos de extensão para capacitação de professores em história e cultura indígena de acordo com a Lei 11.645 de 10/03/08, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura indígena. Também desenvolve oficinas culturais; capacitação técnica de indígenas, bem como ações de promoção da Educação Patrimonial.

Nossa concepção de Educação Patrimonial tem como matriz a Arqueologia, principalmente a partir da Etnoarqueologia, pelo fato dessa área do conhecimento permitir à promoção da relação entre o público e o patrimônio arqueológico. Entendemos que por meio dessa afinidade é possível promover a construção cidadã. Na medida em que as pessoas reafirmam sua cultura e identidade, passam a fundamentar a sua existência enquanto agentes produtores de cultura que se relacionam com o ambiente, originando assim, uma relação mais equilibrada e de respeito entre sociedade e o Meio Ambiente. Entendemos que as sociedades democráticas devam salvaguardar o seu patrimônio cultural. E assim, promover o exercício de cidadania já que os conhecimentos, as inovações e as práticas orientadas pelas tradições estão relacionados à existência de seu povo.

ETNOARQUEOLOGIA

Focada no patrimônio e na cultura, a Etnoarqueologia é uma linha de pesquisa que desenvolve um novo modo de pensar o registro arqueológico. É entendida como uma abordagem que proporciona os meios para se interpretar a estática do registro arqueológico, tendo como referencial a dinâmica do contexto etnográfico. Ou seja, a partir do estudo de sociedades contemporâneas, proporciona os meios para formular e testar hipóteses, modelos e teorizações que possibilitam responder questões de interesse arqueológico.

O enfoque principal da pesquisa de campo está direcionado para a obtenção de dados sobre os registros e mapeamentos das plantas de ocupação das diferentes áreas (domésticas, habitação, industriais, ritualísticas, entre outras) superficiais e sua espacialização, com a utilização de georeferenciamento e a realização de croquis e mapas temáticos, além da utilização de técnicas de gravação para entrevistas com moradores mais antigos e outros informantes, tanto dentro das aldeias como fora delas, por meio de histórias de vida e entrevistas informais, acompanhadas de registro audiovisual.

O dado etnográfico, sendo fundamental para entender os processos de formação do registro arqueológico, deve ser recolhido em campo a partir de uma observação direta da forma, fabricação, distribuição, significado e uso dos artefatos, a sua colocação institucional e a unidade de organização social correlata entre as populações atuais.

DESENVOLVIMENTO ETNOAMBIENTAL

Tem como abrangência o sistema agroambiental, o desenvolvimento econômico sustentável, as relações de gênero, a saúde, a criança e o adolescente, a violência e o território. O etnodesenvolvimento, na concepção da Fundação Araporã, é uma forma de garantir a sustentabilidade econômica das comunidades indígenas. Pautado no respeito às relações de gênero e na melhoria da qualidade de vida, direciona suas ações para jovens e adolescentes que carecem de políticas publicas de inclusão e valorização, tanto na sociedade indígena quanto na envolvente, pois esses dois segmentos atualmente se encontram desassistidos em termos de inserção social, precisando de maior atenção as suas necessidades pessoais para a melhoria da auto-estima.

Os projetos de etnodesenvolvimento da Fundação têm como concepção prioritária a melhoraria da produção de alimentos e das unidades produtivas, para que possam favorecer o enriquecimento da dieta alimentar, assim como o respeito aos aspectos de tradição cultural envolvendo os cultivos das populações indígenas.

Entendemos que é necessário valorizar os produtos tradicionais e a conservação de germoplasma de variedades cultivadas, mas é necessário também aumentar a diversidade vegetal e promover o uso eficiente de recursos naturais por meio da conservação e regeneração do solo e da água, com ênfase num controle de erosão e formas de captação de água, no sentido de garantir que os sistemas alternativos implantados possam fortalecer a organização social nas aldeias indígenas.

Nossas iniciativas em torno do etnodesenvolvimento, estão pautadas pelo respeito pela comunidade, portanto, sempre pensadas e executadas de maneira coletiva, com base no diagnóstico participativo, em que as comunidades dão os indicativos das suas prioridades e que tipo de desenvolvimento esperam para suas áreas.